Como conseguir clientes pela internet

Conseguir cliente pela internet depende de três coisas na ordem certa: ser encontrado por quem já procura o que você vende, ter para onde levar essa pessoa, e responder rápido quando ela chega. A maioria das empresas inverte a ordem, começa comprando anúncio antes de ter destino e atendimento prontos, e conclui que marketing digital não funciona.

Por Rogério Leite, Consultor de Marketing Digital ·

A ordem importa mais do que o canal

A pergunta que chega aqui quase sempre vem no formato "devo investir em Google ou em Instagram". É a pergunta errada, e responder a ela direto costuma desperdiçar o orçamento do primeiro trimestre.

Canal é a última decisão, não a primeira. Antes dele existem duas perguntas que mudam completamente a resposta: para onde a pessoa vai quando clicar, e quem atende quando ela falar. Sem destino que converta e sem atendimento que responda, qualquer canal vira despesa.

Já aconteceu de a recomendação certa ser não anunciar. Empresa com site lento, sem telefone visível e com mensagem respondida em dois dias não tem problema de tráfego: tem problema de conversão e de atendimento, e comprar visita nesse estado é pagar caro para perder gente mais rápido.

Comece por quem já está procurando

Existe uma diferença enorme entre interromper alguém e aparecer para quem já levantou a mão. Quem digita "dentista em Águas Claras" está com a intenção declarada, e converter essa pessoa custa uma fração do que custa convencer alguém que estava vendo vídeo.

Para negócio local, a primeira providência é gratuita e quase sempre está mal feita: o Perfil da Empresa no Google. Categoria correta, endereço conferível, horário real, telefone que atende, fotos do lugar e resposta a todas as avaliações. É o que decide se a empresa aparece naquele bloco com mapa que ocupa a primeira tela de quem busca com nome de bairro.

A segunda é o site, e não porque site é bonito: porque é o único canal que a empresa controla. Perfil de rede social é território alugado, sujeito a mudança de regra e a bloqueio sem aviso. O site é o endereço que continua existindo quando qualquer plataforma mudar.

A terceira é conteúdo que responde às perguntas que antecedem a compra. Quem vai contratar um serviço pesquisa antes: quanto custa, quanto demora, como escolher, o que dá errado. Empresa que responde essas perguntas com honestidade chega à conversa já com crédito, e chega antes do concorrente que só publica promoção.

Quando o anúncio entra, e quanto ele resolve

Anúncio pago faz uma coisa muito bem: comprar tempo. O trabalho orgânico leva meses para amadurecer, e a empresa precisa vender nesse intervalo. É para isso que existe o tráfego pago.

O que ele não faz é substituir a fundação. Campanha desligada significa visita zero no dia seguinte, e quem construiu o negócio inteiro sobre anúncio descobre isso na primeira vez que o caixa aperta. O arranjo que funciona usa o pago para gerar receita agora e o orgânico para reduzir a dependência do pago depois.

Na prática, o erro mais comum não é o valor investido: é anunciar para uma página genérica. Quem clica num anúncio sobre um serviço específico e cai na página inicial precisa procurar de novo o que já tinha encontrado, e boa parte desiste ali. Cada anúncio precisa de um destino que continue a conversa que ele começou.

O que medir, e o que ignorar

Relatório de marketing digital costuma ser generoso com número que sobe e discreto com número que importa. Alcance, impressão, curtida e seguidor sobem com facilidade e não pagam conta.

Os três números que decidem são simples. Quantos contatos chegaram no período. Quanto custou cada contato, somando a verba de anúncio e o serviço. E quantos desses contatos viraram cliente, o que só a empresa sabe responder, porque acontece fora da internet.

Esse terceiro número é o que separa análise de adivinhação, e quase nunca está no relatório porque exige a empresa registrar de onde veio cada venda. Vale o trabalho: é ele que mostra que o canal aparentemente mais caro por contato pode ser o que traz o cliente que mais paga.

Um cuidado com prazo: julgar campanha por uma semana é ler ruído. E julgar trabalho de busca orgânica por um mês é julgar antes de o trabalho existir.

Cinco erros que fazem o investimento render menos

São os que mais aparecem quando pegamos uma conta que já vinha sendo tocada, e nenhum deles depende de orçamento maior para ser corrigido.

  • Anunciar sem medir conversão. Sem saber quais cliques viraram contato, a otimização vira palpite e a plataforma otimiza para o objetivo errado.
  • Mandar todo mundo para a página inicial. Cada campanha precisa de um destino que responda exatamente ao que o anúncio prometeu.
  • Trocar de estratégia todo mês. Trabalho de busca e de marca leva tempo, e recomeçar a cada trimestre é pagar o início várias vezes sem chegar ao meio.
  • Ignorar quem já comprou. Cliente antigo custa muito menos para vender de novo do que um desconhecido, e quase ninguém tem uma rotina para isso.
  • Deixar o contato esfriar. Resposta em dois dias perde para a resposta em duas horas, mesmo quando a proposta é pior.

Um roteiro de noventa dias para quem está começando

Não é receita universal, e sim a ordem que costuma render mais para empresa pequena que ainda não tem processo montado.

No primeiro mês, arrume a casa. Perfil da Empresa completo e verificado, site com telefone visível na primeira tela, formulário curto que funcione de verdade, e um lugar onde os contatos sejam registrados, nem que seja uma planilha. Defina quem responde e em quanto tempo.

No segundo mês, ligue a medição e comece pequeno no pago. Conversão marcada, campanha limitada às palavras de intenção comercial mais óbvia, destino específico para cada anúncio. O objetivo aqui não é escalar: é descobrir quanto custa um contato no seu mercado.

No terceiro, use o que aprendeu. As palavras que trouxeram contato indicam o conteúdo que vale escrever; as que gastaram sem trazer nada viram lista de exclusão. É aqui que o trabalho orgânico começa com direção, em vez de chute.

Ao fim dos noventa dias, a empresa deveria conseguir responder três perguntas que antes não conseguia: de onde vêm os contatos, quanto custa cada um e quantos viram cliente. Quem responde essas três decide o próximo passo sozinho.

Perguntas relacionadas

Quanto tempo leva para conseguir clientes pela internet?

Depende do caminho. Anúncio pago pode gerar contato na primeira semana, porque você está comprando visibilidade imediata. Busca orgânica e Perfil da Empresa levam mais: o perfil costuma se mexer em semanas e a busca orgânica mostra movimento consistente a partir de alguns meses. Quem promete primeiro lugar rápido está prometendo o que não controla.

Preciso de site ou o Instagram basta?

Rede social funciona para ser conhecido e não funciona como único endereço. Perfil é território alugado: a regra muda, o alcance cai e a conta pode ser bloqueada sem aviso. O site é o único canal que a empresa controla, e é ele que aparece na busca de quem ainda não conhece a marca.

Vale a pena investir pouco em anúncio?

Vale, desde que o objetivo seja aprender e não escalar. Verba pequena serve para descobrir quanto custa um contato no seu mercado e quais palavras trazem gente com intenção real. O que não funciona é verba pequena espalhada em muitos canais ao mesmo tempo: nenhum deles gera dado suficiente para decidir nada.

Como sei se o marketing digital está funcionando?

Por três números: quantos contatos chegaram, quanto custou cada um e quantos viraram cliente. O terceiro exige registrar de onde veio cada venda, e é o que separa análise de adivinhação. Alcance, impressão e seguidor sobem com facilidade e não pagam conta.

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