Quanto custa um site em Brasília: o que define a conta

Não existe preço de tabela para site porque a unidade de trabalho não é página, é layout distinto, e sobre isso pesam o formato, as integrações, a área logada, o idioma, a origem do conteúdo e o fato de já existir um site no ar para migrar. Dois projetos com o mesmo número de páginas podem estar em ordens de grandeza diferentes. Antes de comparar propostas, peça que cada fornecedor escreva quantas telas vai desenhar, quem produz o conteúdo e o que o site vai custar no ano seguinte à entrega.

Por Rogério Leite, Consultor de Marketing Digital ·

Página não é a unidade de trabalho. Layout é.

A conversa quase sempre começa com um número de páginas. "Quero um site de oito páginas." A pergunta que devolvemos é: quantas dessas oito são visualmente diferentes umas das outras? Um site com dez serviços não tem dez telas: tem uma tela de serviço, desenhada uma vez e preenchida dez vezes. Por isso orçamento por página engana dos dois lados: um institucional de quinze páginas com quatro layouts custa menos que um de seis desenhadas do zero.

Acrescentar o décimo primeiro serviço a um site que já tem template de serviço é trabalho de conteúdo, não de projeto. Acrescentar uma tabela comparativa de planos, uma calculadora ou um mapa de unidades com filtro é layout novo, desenho, versão para celular e comportamento a definir. Escreva a sua lista de layouts antes de pedir proposta, porque ela é o escopo real:

  • Home, que quase nunca se repete e concentra o desenho
  • Serviço ou solução, reaproveitada por quantos serviços houver
  • Listagem: portfólio, produtos, unidades, equipe
  • Item da listagem, que é outra tela
  • Institucional, com necessidade própria de imagem
  • Contato, com formulário e mapa
  • Blog: a listagem e o post são dois layouts, não um

Onde a conta muda de patamar: quando o site passa a guardar estado

Institucional, catálogo e loja virtual são naturezas diferentes de trabalho, e a página de criação de sites já explica a separação. Para o orçamento, o que importa é o ponto da virada: quando o site deixa de apenas exibir conteúdo e passa a guardar estado. Enquanto exibe, o teste é visual. Com estoque, preço, frete, pagamento e documento fiscal, ele adquire regras, e regra tem exceção, exceção tem tela, tela tem teste. É essa cauda de exceções, não a vitrine, que separa os dois orçamentos.

Integração surpreende porque o custo não está do lado do site, está do lado da contraparte. O outro sistema tem API documentada e pública? Quem dá suporte a ela? A documentação corresponde ao que ele devolve de verdade? Integrar com plataforma conhecida é previsível; integrar com o sistema que um fornecedor antigo escreveu sob medida, sem documentação, é arqueologia, e a proposta honesta orça a descoberta à parte, em vez de estimar às cegas.

Área logada é a outra fronteira. Com cadastro vêm senha, recuperação, permissão, sessão e dado pessoal sob a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), com base legal, prazo de guarda e canal para o titular exercer seus direitos. Nada disso aparece na tela, e tudo isso é escopo.

Segundo idioma não é traduzir o texto

A página de criação de sites já coloca a versão em outro idioma entre as perguntas que dimensionam o projeto, e responde o essencial: é conteúdo novo, não tradução automática colada no layout. O que fica de fora de lá é a conta, o custo do segundo idioma não está na tradução, está no que passa a existir em duplicata. Os endereços separam as versões, cada página declara sua equivalente nas outras línguas, o menu precisa caber quando o texto do outro idioma ocupa mais espaço que o português na mesma caixa, e cada layout da sua lista volta para revisão uma vez por idioma.

Some-se o custo que ninguém orça: manter. A versão em inglês pedida "por via das dúvidas" congela na entrega enquanto a portuguesa segue viva, até a empresa ter duas páginas que dizem coisas diferentes sobre si mesma, e a errada é a que o estrangeiro lê.

Quanto cada cenário de conteúdo acrescenta à conta

Quem escreve os textos e de onde vêm as fotos é assunto da página de criação de sites; aqui interessa o preço de cada cenário. Texto entregue pelo cliente costuma ser o do site antigo, escrito por alguém que já saiu, com serviços que a empresa não presta mais: não é conteúdo pronto, é matéria-prima, e cobra reescrita. Texto escrito pela agência inclui entrevista e rodadas de revisão. Em setor regulado, soma-se a revisão de quem tem o registro profissional em jogo. Proposta que não diz quantas rodadas estão inclusas tem um custo em aberto.

Imagem segue a mesma lógica: licença de banco tem escopo de uso, site é uma coisa, anúncio pago é outra, quase sempre item à parte, e ensaio é custo de terceiro, com data e deslocamento. Quando o negócio não tem produto para fotografar, a única imagem própria que ele tem é o espaço físico e as pessoas. Sem foto do lugar, o site se apoia em banco de imagem, e imagem genérica é o que faz um site parecer igual a qualquer outro.

O que a migração cobra e um site novo não cobra

Site novo em domínio novo é a situação mais simples que existe. Substituir um site que está no ar há anos acrescenta uma camada sem equivalente visual, e é ela que aparece na diferença de preço: levantar quais endereços existem e quais recebem visita, montar o mapa de redirecionamento, extrair o conteúdo que vale e decidir o que morre. Um institucional de oito páginas dispensa quase tudo isso; um site com anos de blog e centenas de endereços indexados é inventário antes de ser design. O que se preserva nessa troca está descrito na página de criação de sites.

Há também o que só aparece quando alguém abre o painel do fornecedor antigo, e nada disso é design: o e-mail da empresa pode morar no mesmo servidor do site; o domínio pode estar em nome de um ex-funcionário; um plugin essencial pode ter licença comprada no cartão de outra pessoa. Nada é caro de resolver, mas tudo consome trabalho e nada cabe dentro de "refazer o site", por isso o acesso ao ambiente atual deveria ser pedido antes da proposta.

Comprador público, conselho de classe e página por região

Quando o comprador é órgão público, entram exigências que a empresa privada raramente faz, e todas custam: documentação formal do que foi entregue, titularidade de domínio e acessos transferida de maneira rastreável e acessibilidade como requisito, não como acabamento, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015, art. 63) trata a acessibilidade dos sítios da internet como obrigatória. Decidida no desenho, com contraste, foco visível, hierarquia de títulos e alternativa textual, ela custa pouco; remendada depois, vira refação de layout.

Profissão regulada acrescenta uma revisão a cada peça, porque quem responde pelo material perante o conselho é o profissional, não a agência: não muda o desenho, muda o número de idas e vindas até a página poder ir ao ar.

E há a demanda recorrente da geografia do DF: quem atende Plano Piloto, Taguatinga, Águas Claras e o Entorno frequentemente quer uma página por região administrativa. Barato em desenho (um layout reaproveitado) e caro em conteúdo, porque páginas iguais trocando só o nome do bairro não servem nem para o leitor nem para busca. Como essa busca acontece é assunto do artigo sobre aparecer no Google Maps em Brasília.

O que faz o preço subir sem fazer o site ficar melhor

Nem todo escopo a mais é qualidade a mais. O caso mais visível é a home tratada como vitrine de tudo: cada área da empresa quer a sua faixa e a home vira uma pilha de blocos, cada um com desenho, conteúdo e manutenção próprios, e os últimos raramente são vistos por quem entrou procurando um telefone. Efeito sob medida se comporta igual: animação de entrada, transição entre seções, contador que sobe com a rolagem. Cada um é código a manter, peso na página e mais uma peça que quebra quando a plataforma se atualiza.

O contrário também vale: o que mais muda a qualidade do site é o que menos aparece na proposta como novidade. Velocidade, acessibilidade decidida desde o desenho, texto escrito por quem entrevistou o dono do negócio e foto do lugar de verdade não viram linha vistosa em orçamento nenhum.

Por que duas propostas para o mesmo site chegam tão diferentes

A diferença entre três orçamentos raramente está no preço da hora: está em quantos layouts cada fornecedor contou ao ler o mesmo briefing e no que cada um assumiu como incluso. A mais barata não é necessariamente pior: muitas vezes é apenas menor, e menor pode ser o que o negócio precisa. O problema é ser menor sem dizer.

A lista do que pedir por escrito a qualquer fornecedor, inclusive a nós, está em como escolher uma agência de marketing digital. O que segue é o recorte específico de projeto de site:

  • Escopos lidos do mesmo briefing: uma contou quatro layouts, outra contou doze
  • Tema pronto configurado ou interface desenhada, as duas coisas se chamam "site em WordPress"
  • Migração do site atual inclusa ou tratada à parte
  • Acompanhamento incluso ou não depois da entrada no ar

O segundo ano do site é a conta que quase ninguém faz

A contratação é tratada como despesa única, e não é. Um site no ar tem custo contínuo em três blocos que convém orçar separados: infraestrutura, manutenção técnica e alteração de conteúdo. O primeiro é o que a página de hospedagem detalha, inclusive porque cada item vence em data própria: quando o aviso de renovação vai para uma caixa de e-mail que ninguém lê mais, o domínio pode expirar sem que o problema tenha sido dinheiro.

O segundo é o custo de continuar funcionando: atualização de plataforma e componentes, backup que alguém já tenha testado restaurar, correção do que quebra quando uma peça é atualizada e outra não, mecânica que a página de manutenção de sites detalha. O terceiro é conteúdo: trocar a descrição de um serviço, publicar uma vaga, remover um profissional que saiu. Somar os três antes de assinar muda a decisão de escopo mais do que se imagina, e a escolha que costuma sair dessa conta (um site menor e melhor mantido) é uma boa escolha.

Perguntas relacionadas

Por que uma agência não publica tabela de preço de site?

Porque o mesmo pedido ("um site para minha empresa") abrange projetos sem nada em comum além do nome. Um institucional com quatro layouts e texto entregue pelo cliente e uma loja com integração de estoque, área logada e segundo idioma são trabalhos de naturezas diferentes. Uma tabela só seria honesta se descrevesse o escopo até o nível do layout, e aí não seria tabela, seria proposta.

Um site de dez páginas custa o dobro de um de cinco?

Quase nunca. O que se projeta é layout, não página. Se as dez páginas usam quatro telas diferentes e as cinco usam quatro também, o desenho e a programação são praticamente os mesmos e a diferença fica no conteúdo a produzir. O contrário também vale: cinco páginas totalmente distintas entre si podem custar mais que quinze bem padronizadas.

Vou vender para órgão público. Isso muda o orçamento do site?

Muda o escopo, e o escopo muda a conta. Comprador público costuma exigir documentação formal do que foi entregue, transferência rastreável de domínio e acessos e acessibilidade como requisito, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015, art. 63) trata a acessibilidade dos sítios da internet como obrigatória. Decidida no desenho ela custa pouco; remendada depois, vira refação de layout.

O que costuma ficar fora do escopo e virar custo depois da entrega?

Conteúdo (texto e foto, sobretudo as rodadas de revisão além da prevista), licença de imagem para uso em anúncio, hospedagem, domínio, certificado, manutenção e as alterações do dia a dia. Nenhum deles é irregular estar fora: o problema é não estar escrito que está fora. Peça a lista de exclusões junto com a proposta.

Quanto preciso reservar para o segundo ano do site?

Depende de três blocos que valem ser orçados separadamente antes de assinar: infraestrutura (domínio, hospedagem, certificado), manutenção técnica (atualizações, backup testado, correções) e alteração de conteúdo ao longo do ano. Empresa com site estável fica nos dois primeiros; quem publica com frequência precisa dimensionar o terceiro.

O que faz uma integração custar mais do que a tela que a exibe?

O custo está do lado do outro sistema. Integração com plataforma que tem API documentada, estável e com suporte é trabalho previsível. Integração com sistema sob medida, sem documentação e sem ninguém que responda por ele exige descoberta antes de qualquer estimativa, e nesse caso o correto é orçar a investigação à parte, em vez de chutar o conjunto.

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