Quanto investir em Google Ads por mês
Não existe valor de tabela: a verba mensal é consequência de quatro coisas: quanto custa o clique no seu setor e na sua região, quantos cliques geram uma conversa, quantas conversas o seu atendimento transforma em cliente e quanto de margem esse cliente deixa. A conta se faz de trás para frente, do valor do cliente até o teto que o clique pode custar. E vale separar duas linhas que costumam vir somadas: a verba de mídia, que vai para o Google, e o honorário de gestão, que paga o trabalho sobre a conta.
Por Rogério Leite, Consultor de Marketing Digital ·
A conta começa no valor do cliente e anda para trás
A pergunta chega quase sempre assim: "quanto preciso colocar por mês para isso funcionar?". A resposta honesta não é um número: é uma sequência de contas que só o dono do negócio tem os dados para fechar.
Chame de V a margem que um cliente deixa: margem, não faturamento, e considerando o relacionamento inteiro, não só a primeira compra. Sobre V você decide A: quanto está disposto a pagar por um cliente novo. A é uma fração de V, nunca V inteiro, porque o que sobra paga a operação e o lucro.
De A para trás vêm duas taxas. A do seu atendimento: se são necessárias n conversas qualificadas para fechar um cliente, o custo máximo de uma conversa é A dividido por n. E a da página que recebe o clique: se são necessários m cliques para gerar uma conversa, o clique só pode custar esse valor dividido por m.
Esse resultado é o único número que você leva ao leilão do Google. Se o clique do seu termo custa mais do que isso na sua região, o problema não é a verba: é a margem, a oferta, a taxa de fechamento ou a página, e aumentar o orçamento só acelera o prejuízo.
A verba do mês é o número de clientes que você quer, e consegue atender, multiplicado por A. Aí vem a segunda pergunta, que quase ninguém faz antes de contratar: existe busca suficiente pelo que você vende, na praça em que vende, para entregar esse número? Demanda de busca é finita, e nenhuma verba cria procura que não existe.
Duas das quatro variáveis não são suas
Custo do clique e volume de busca pertencem ao leilão, não a você. O mesmo termo custa valores diferentes em setores e praças diferentes, e muda conforme quem está anunciando naquela semana. E o lance não é o único fator: a relevância do anúncio e da página entra na conta do Google, como está detalhado na nossa página de Google Ads e tráfego pago.
As outras duas são inteiramente suas, e é nelas que quase todo mundo esquece de mexer. A taxa de conversão da página não muda o preço do clique: muda quantos cliques você precisa comprar para chegar ao mesmo número de conversas. Por isso a criação de landing page costuma ser discutida junto com a verba, e não depois dela.
A quarta variável é o atendimento. A verba paga o clique; o resto depende de quem responde a mensagem e retorna a ligação. Duas empresas com a mesma campanha e o mesmo orçamento chegam a resultados incomparáveis quando uma responde no mesmo dia e a outra deixa acumular.
Verba de mídia, honorário de gestão e as linhas que nenhum dos dois paga
Essa é a confusão mais comum na primeira reunião: muita gente pergunta um valor único e imagina que parte dele vira anúncio.
A verba de mídia é do Google: cobrada em cartão ou boleto dentro da conta de anúncios, no CNPJ do anunciante, e pode subir ou descer de um mês para o outro. O honorário de gestão paga o trabalho sobre essa conta: estrutura de campanha, escrita de anúncio, palavras-chave negativas, medição de conversão, leitura do relatório de termos de pesquisa, decisão do que pausar e do que ampliar. São duas linhas do orçamento, e uma não é percentual obrigatório da outra.
Vale perguntar a qualquer proposta que você receber como o honorário é calculado. Honorário atrelado a um percentual da mídia cria um incentivo torto: quem gere a conta ganha mais quando você gasta mais, e não quando você gasta melhor.
A Criattus é Google Partner. Os critérios do programa são publicados pelo Google e tratam de certificação de pelo menos metade dos estrategistas de conta da agência, além de mínimos de investimento gerenciado e de desempenho na plataforma (Central de Ajuda do Google Ads). Repare no que isso não diz: o requisito é sobre a composição da equipe, não sobre quem opera a sua conta. O selo não dá desconto no leilão nem garante resultado, quem vai mexer na sua conta é pergunta para a reunião, com nome e papel.
Há ainda uma terceira coluna, que raramente entra na conversa sobre verba:
- A página que recebe o clique, quando o que existe é a home: fazê-la é trabalho de projeto e não sai da verba de mídia.
- A medição de conversão: sem tag configurada e sem formulário e telefone rastreados, o relatório conta clique, não conversa.
- Os criativos, quando a campanha passa de pesquisa para display ou vídeo.
- O atendimento, que consome hora de alguém dentro da empresa.
O número que você informa é diário, e ele vale por campanha
Um detalhe operacional muda a leitura do mês inteiro: no Google Ads não se digita um valor mensal. Define-se um orçamento diário médio, e ele vale por campanha, não pela conta toda.
Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, esse número é tratado como média: o gasto de um dia específico pode chegar ao dobro do orçamento diário, e o limite do mês é 30,4 vezes esse valor: 30,4 é a média de dias de um mês, 365 dividido por 12. Um dia acima do previsto não é erro de cobrança.
A parte que costuma passar despercebida é a divisão. Se a verba do mês vira cinco campanhas, cada uma recebe uma fração do orçamento diário, e é essa fração (não o total) que determina quantos cliques ela consegue comprar por dia. Cinco campanhas famintas não somam uma campanha bem alimentada.
Isso importa porque o leilão impõe um piso: a página de Google Ads e tráfego pago responde onde ele fica. O que interessa aqui é a razão: Uma campanha só decide bem depois de acumular repetição: cliques suficientes para saber quais termos convertem, conversões suficientes para o sistema de lances entender o padrão. Com poucos cliques por dia, o mês passa sem que ninguém, humano ou máquina, separe sinal de sorte, e a leitura no fim vira "Google Ads não funciona para o meu ramo", a conclusão errada mais cara que existe.
Quando a verba é curta, a saída não é espalhar: é concentrar. Um serviço, uma região, os termos de intenção mais alta, uma página feita para aquilo. E confira o horário: se o orçamento diário se esgota toda manhã, o anúncio some na tarde e na noite, e o termo que "não converteu" pode nem ter sido exibido.
Dobrar a verba não dobra o resultado, e o painel mostra onde fica o teto
A relação entre verba e resultado não é uma linha reta, e a própria conta de anúncios diz por quê. Duas métricas respondem quase sozinhas se aumentar dinheiro adianta: a parcela de impressões perdida na rede de pesquisa por orçamento e a parcela perdida por classificação.
Perder aparições por orçamento significa que há procura pelo seu termo que a verba não está alcançando, aí sim, mais dinheiro compra mais do mesmo. Perder por classificação significa que o dinheiro não resolve: o que trava é relevância, página de destino ou estrutura, e subir o lance apenas encarece o mesmo volume.
Existe também um limite natural. Quando a verba cresce além da demanda do seu recorte, a campanha começa a comprar termos mais distantes da intenção original e posições mais caras, e cada cliente adicional custa mais que o anterior. O ponto de parar não é quando acaba o dinheiro: é quando o custo do próximo cliente ultrapassa aquele A que você definiu lá no começo.
O que muda quando o anúncio roda no Distrito Federal
Três particularidades daqui mexem diretamente na conta da verba.
A primeira é a segmentação. O DF é um conjunto de regiões administrativas com deslocamento real entre elas. Anunciar para "todo o DF e Entorno" compra também o clique de quem está a uma hora de carro do seu endereço; um raio em torno do ponto de atendimento restringe a exibição a quem consegue chegar até você. Confira junto a configuração de localização: anunciar para quem demonstra interesse por uma região é diferente de anunciar para quem está nela.
A segunda é de vocabulário. Aqui boa parte das buscas orbita concurso, edital, processo seletivo, servidor, órgão e sigla de instituição. Esses termos colidem com o vocabulário comercial de muitos setores, e a lista de negativas de uma conta daqui precisa considerar isso desde o primeiro dia, caso contrário a verba vai embora atendendo candidato a concurso. A mecânica das negativas está na página de Google Ads e tráfego pago.
A terceira é o comprador. Se o seu cliente é órgão público, o caminho de venda não passa por anúncio de busca: passa por processo formal de contratação, nos termos da Lei 14.133/2021 e dos portais de compras. O Ads faz sentido para alcançar o consumidor final e a empresa privada; quando o negócio vive de contrato público, vale mais presença institucional e busca orgânica, que anda em outro ritmo, tratado em quanto tempo o SEO leva para dar resultado.
O primeiro ciclo é calibragem, não performance
A resposta precisa para "quanto investir por mês" só existe depois que a conta roda um pouco. Antes disso, qualquer número é estimativa: a diferença é ser uma estimativa declarada como tal ou vendida como certeza.
O que o primeiro ciclo produz é matéria-prima: quais termos as pessoas realmente digitaram antes de clicar, quanto custou o clique no seu recorte, quantos cliques a página precisou para gerar uma conversa, quais conversas eram do perfil que você atende. Com isso, a conta da primeira seção deixa de usar variáveis e passa a usar os seus números.
Quem já anunciou antes começa com vantagem: uma conta antiga, mesmo malcuidada, guarda histórico de termos, custo e conversão. Quando a conta que chega já tem histórico, o problema costuma estar na distribuição da verba, e não no tamanho dela.
Para chegar a esse número com dado em vez de chute, o caminho é uma conversa sobre o seu negócio: o que você vende, para quem, em que região e quanto vale um cliente. O escritório fica em Águas Claras, e o telefone e WhatsApp é 61 3024 1336.
Perguntas relacionadas
Posso começar com uma verba pequena e ir aumentando depois?
Pode, desde que o escopo encolha junto. Verba pequena espalhada em vários serviços, várias regiões e termos genéricos não gera dado suficiente para nenhuma decisão, o mês passa e ninguém sabe dizer o que funcionou. Verba pequena concentrada em um serviço, um raio geográfico e os termos de maior intenção pode produzir leitura confiável e servir de base para o aumento seguinte.
Se eu aumentar a verba no meio do mês, a campanha reage na hora?
Não de imediato. Mudança grande de orçamento ou de estratégia de lance faz o sistema recalcular, e há um intervalo em que os números ficam instáveis antes de acomodar. Por isso os aumentos costumam ser feitos em passos, e por isso não se avalia o efeito de um aumento pelos primeiros dias depois dele. Mexer na verba e na estratégia de lance no mesmo momento piora a leitura: fica impossível saber qual das duas mudanças produziu o que você está vendo.
A verba de mídia é paga para a agência ou para o Google?
Para o Google, dentro da conta de anúncios do próprio anunciante, no cartão ou boleto do CNPJ dele. O honorário de gestão é uma cobrança separada, da agência, e paga o trabalho sobre a conta: estrutura, anúncios, negativas, medição e acompanhamento. Manter as duas linhas separadas no orçamento evita a confusão mais comum do setor e deixa claro quanto do dinheiro virou anúncio.
Como sei se a verba está no tamanho certo?
A própria conta responde, sem depender de opinião: se você está perdendo aparições por orçamento, existe procura que a verba não alcança; se o custo por conversa sobe a cada incremento, você chegou ao teto de demanda do seu recorte. A seção sobre dobrar a verba, acima, explica como ler as duas parcelas de impressões perdidas.
É melhor investir na verba de mídia ou na página que recebe o clique?
Se a página atual é a home, ou uma página genérica, a resposta costuma ser a página. Melhorar a taxa de conversão reduz o número de cliques necessários para cada conversa, o que barateia todas as conversas seguintes, inclusive as que você já estava comprando. Aumentar a verba sobre uma página que não converte só compra mais visitas para o mesmo problema.
O orçamento precisa ser igual todos os meses?
Não, e tratá-lo como valor fixo de doze meses costuma ser desperdício. Praticamente todo setor tem meses de procura maior e menor, e em Brasília os recessos e os feriados prolongados mexem na agenda de quem atende consumidor final. Depois de alguns ciclos, o próprio histórico da conta mostra em que meses vale concentrar e em que meses vale segurar.
Dá para prever quantos clientes uma determinada verba vai trazer?
Antes de a conta rodar, não, e qualquer previsão apresentada como certeza nesse momento é chute com aparência de planilha. O que dá para fazer é a conta inversa: partir do valor de um cliente para o seu negócio e chegar ao quanto um clique pode custar, e então verificar se o leilão do seu setor cabe nesse limite. Depois do primeiro ciclo, com custo por clique, taxa de conversão e taxa de fechamento medidos, a projeção passa a se apoiar nos seus próprios números.
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